Esta segunda - feira foi lançada uma lista, pela IFFHS, onde estão os melhores guarda-redes do mundo em actividade entre 1987 e 2008. Salta à vista, desde logo, a excelente posição que Vítor Baía alcançou: um 10º lugar.
De facto, mercê desta posição alcançada pelo antigo guardião da selecção, Porto e Barcelona, a comunicação social fartou-se de referir a estatística e o resultado em questão, à "boa maneira portuguesinha", como se de um enorme troféu se tratasse.
Não quero estar a parecer injusto. Longe de mim. Baía foi, sem dúvida, um excelente jogador, um vencedor e merece o lugar em que foi colocado. Eu até acho que ele poderia ter ficado mais bem classificado.
O meu "azedume" vai para o comportamento da comunicação social que, pasme-se, esqueceu-se de referir que, entre os grandes senhores da baliza nos últimos 20 anos está um homem que tanto deu ao Benfica e ao futebol português: Michel Preud' Homme.
Ninguém pedia o espaço que foi concedido ao Baía, logicamente. Este é português. Agora, uma pessoa que, ainda hoje, fala do Benfica e do nosso país com carinho; alguém que sempre foi um exemplo para os jovens, dentro e fora de campo; alguém que passou seis anos da sua carreira num clube português merecia mais destaque.
No entanto, claro está, outro grande senhor (fantástico mesmo) da baliza, que apenas esteve cá um ano, mereceu honras de referência: Peter Schmeichel. Este, justamente, diga-se, ficou em segundo lugar atrás do enorme Buffon.
É, pois, uma pena que a nossa mentalidade ainda seja assim tão pequenina. Preud' homme foi um ás da baliza, alguém que, infelizmente, não teve o devido acompanhamento em campo do resto da equipa. Jogando em outras equipas do Benfica, em anos não muito anteriores, mais troféus tinha vencido pelo nosso clube.
Despediu-se dos relvados com a nossa camisola, aquela com que brilhou durante seis anos.
Obrigado Michel Preud'homme...